Friday, February 18, 2005

Pequeno texto

Porque continuamos a separar, a abrir o abismo que se debruça entre nós? Sempre com as mãos postas no silêncio, olhamos para a diferença com os lábios cheios de balas. Rejeitamos as formas que não se encaixam nos nossos dedos, e não fazemos o mínimo esforço para moldar o que poderia ser moldado com o simples auxílio de um sopro. Sempre perdidos em nós, abrimos as brechas do mundo, erguemos os punhos em direcção às nuvens que cantam com uma voz diferente da nossa, asfixiamos os desenhos que o vento faz. Deixamos sempre que o ódio seja "a palavra", mesmo quando parece que não se pode dizer mais nada. Seria tão fácil esquecer a lógica das letras, para nos lembrarmos da irracionalidade da música. Não é preciso falar, quando os braços esmagam um grito. A pergunta primordial é: iremos alguma vez mudar? Talvez quando soubermos quebrar o peito contra todos os rostos, esta pergunta possa ser respondida.

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